2016 foi um ano de altos e baixos! Começou mal, muito mal. Terminou bem, muito bem. Um ano pra refletir muitas coisas e quebrar paradigmas para o mundo, acredito eu. Um ano de grandes desafios profissionais. De projetos megalômanos que eu jurava que não daria conta. E de projetos diferenciados. De serviços que eu vendia de uma forma durante aaaaanos e que em 2016, passei a vender de outra. Vou contar…

No fim de 2016, ela me ligou e me pediu um orçamento para organizar aproximadamente 20 mil fotografias. Sim, esse montante todo! Só que ela queria que fosse feito de uma forma diferente. Bem, normalmente, meus projetos de fotografia consistem em recolher as fotos, estudá-las, apresentar um projeto consistente para o cliente e depois encarar a empreitada. Seja em cronologia, seja em temas, enfim, com algumas das muitas possibilidades que tenho disponível para meu cliente. Ela não queria assim. No auto da sua “matura idade” e com uma historia linda de vida pessoal e profissional, ela já tem um outro olhar da vida e pode se dar ao luxo de sintetizar todo esse conteúdo em dois “míseros” álbuns de 500 fotos cada um. Um de presente para o filho. Outro de presente para filha, ambos no natal do ano passado.

COMO ACONTECEU?
Foram cinco dias intensos. Intensos de trabalho, de emoção à flor da pele. De momentos de euforia e de grande tristeza. Assim acontece esse trabalho quando ele é feito desta forma, ao vivo e à cores. E euzinha, que estava acostumada a fazer esse trabalho no meu ritmo, sozinha, uma vez por semana, paulatinamente, tive que mergulhar nesse universo intenso. E não foi fácil meeeesmooo!
Ainda não nos conhecíamos quando o trabalho começou mas viramos amigas e confidentes ao final do quinto dia. As fotos contam histórias, quem já foi minha aluna sabe bem disso. Através delas eu desnudo a vida do cliente. E o bate papo que acontece nesse ínterim, enriquece o trabalho e ajuda e muito a colocar os eventos no seu devido lugar, trocando em miúdos, em cronologia.

Nos dois primeiros dias, nós pincelamos todos os álbuns e fotos avulsas. Tudo mesmo!! Era muito rápido. Ela sentada do meu lado e eu interrogando velozmente sobre as fotos. Bem verdade que ela tinha tudo delineado na cabecinha dela, o que facilitou o andar da carruagem. Fiquei preocupada com o tamanho do filtro que ela fez. Achei “exagerado”. Bem, olhando isso do ponto de visto de uma mãe, por exemplo. Vc resumir um álbum de nascimento de filho em apenas 4 fotos? Eu achei uma loucura! Porém, durante o andamento do trabalho entendi que era um resumo da vida da família, não somente dos filhos, mas de tudo o que compreendia aquele universo: os antepassados, um casamento com muito amor da cliente, uma mega empresa de sucesso, patrimônios e casas construídas por grandes arquitetos, viagens, casamentos desfeitos dos filhos até os atuais, até a chegada dos netos, tudo contando com muitas fotos, um rico acervo.

O tempo todo trabalhávamos com metas, com o número 500 que era a exata quantidade que cabia em cada álbum. Enquanto ela escolhia as fotos eu ia direcionando para que filho ela se enquadraria de acordo com as histórias que eu ouvia dela. Com as afinidades de um neto com a avó. De uma filha com um pai e demais informações. E assim fomos costurando uma história de amor que transbordava pelo álbum.

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UM PARÊNTESES
A cliente e o marido são prósperos empresários da década de 70 e 80. Donos da grife mais famosa da época e que permeava meus sonhos de adolescente, com mochilas, acessórios, calças e roupas lindas. Ahhh eu me realizei quando soube da historia deles e de todo o empreendedorismo que fez com que, de uma amizade de faculdade nascesse um grande projeto e não somente uma grife, mas um império de duas décadas, quase três, com conceito e preocupação com o mundo quando ninguém, ninguém mesmo pensava nisso. Tendência total! Juntando isso, temos o fato deles serem um casal afinado, que se amam intensamente no auto dos seus mais de 40 anos de casado. Isso as fotos contam, bastava olhar pra entender isso, sem contar o carinho, o tratamento que é dado de um para o outro.
Como amo trabalhar em casa assim, com esse clima de amor e harmonia no ar, o trabalho flui melhor, muuuito melhor.

img_0731

GRAN FINALE
Então, depois de separadas, em cronologia que começava com o nascimento dos avós e terminava três gerações depois, foi a vez de montar os álbuns. Isso enquanto ela separava as fotos dos netos que variam de poucos meses a 13 anos, pois essa geração já é digital e dependeria exclusivamente dela. Eu estaria a frente montando os álbuns com o que eu já dispunha. Entremeei fotos com memórias, com cartinhas, com cartões, com dedicatórias lindas e um história de uma família, várias gerações e muito amor!Ah, tinha até uma dedicatória linda do poetinha mais amado do Brasil, Vinícius de Morais, uma preciosidade com aquela assinatura que só quem viveu a Bossa Nova é incapaz de esquecer.
A montagem dos álbuns levou um tempinho e enquanto eles passavam férias no frio, eu aqui no calorzão corria feito uma doida pra dar conta dessa empreitada, no meio da agenda apertada de fim de ano dos demais clientes. Foi puxado viu?

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O IMPREVISTO
Quando eu comecei a produção das legendas, que não eram muitas eu pirei! Eram muitas dúvidas e ela estava viajando, eu não queria ficar perturbando com isso. Tive que produzir por minha conta, mas não imprimi até que ela me desse o aval. Tive que esperar ela chegar e aí pedi duas horinhas de um dia para que pudéssemos olhar os álbuns já montados e definir que legendas ela gostaria. Que nomes ela trataria as pessoas. Como era um presente para os filhos, o avô dela seria o bisavô dos filhos, mas certamente não teria tanta relevância para as crianças novas dessa família, que sequer reconheceriam. Que denominação dar então? O nome inteiro? O papel que cumpria naquela família para uma determinada geração? O apelido? Como os filhos dela conheciam? Eram tantas possibilidades…só ela poderia decidir. Foi quando ela deu uma pane! Ela viu os álbuns pela primeira vez. Fiquei assustada, primeiro com a euforia, depois com a tristeza que tomou conta quando comparou os dois álbuns, os dois volumes. Juro que murchei! Fiquei preocupada porque ela achou que um álbum estava muito melhor do que o outro. Sinceramente não achei, as fotos estavam compatíveis com o que cada filho viveu intensamente, tirando os antepassados. Mas ela se descompensou, ensaiou um choro, e eu a entendi, pensando como mãe, que existe uma coisa que nos persegue chamada CULPA. Ainda que não tenhamos nenhuma, a carregamos sempre, até na hora de preparar uma surpresa especial como a que ela planejou durante muito tempo que era a confecção e entrega dos álbuns. Saí de lá desolada! Juro! Mas logo depois fui trabalhar e pra variar me desliguei do mundo.
Confeccionei as legendas pretas com letras brancas, marca registrada do AO e que fica lindo em álbuns com folhas pretas. Cortei cuidadosamente. Colei no álbum. Embrulhei em papel de seda de cores diferentes e em sacola de papel craft e no dia 24/12 de manhã fui lá entregar esse precioso presente. Fui recebida com um abraço caloroso de agradecimento, e um pedido de desculpas por ter ficado triste e com a seguinte frase “Vc foi a pessoa certa e perfeita pra fazer esse trabalho. Não escolheria outra pessoa.Obrigada.” Se despediu com dois beijinhos e um afago no coração e me deu a certeza de que minha missão estava cumprida, independente do resultado.

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Bem, esse post que tem mais vai e volta do que saga do Star Wars, termina aqui, e ainda que hj seja dia 10/01, desejo a todos aqueles que me acompanham e que tem a paciência tibetana de ler cada historinha aqui contada um 2017 próspero, com saúde, alegrias, paz e muito amor, como esse que transborda na história dessa linda família.

Beijo em todos

Verônica Cavalcanti
menina do AO

“Verônica

Prazer, sou Verônica Cavalcanti, criadora do Ateliê Ordenar. Nasci organizada, disciplinada, obstinada. E, ainda, sob o signo de Áries e ascendente em Escorpião!
Como me disse uma vez um numerólogo: vim para a guerra. 😉

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2016 foi um ano de altos e baixos! Começou mal, muito mal. Terminou bem, muito bem. Um ano pra refletir muitas coisas e quebrar paradigmas para o mundo, acredito eu. Um ano de grandes desafios profissionais. De projetos megalômanos que eu jurava que não daria conta. E de projetos diferenciados. De serviços que eu vendia de uma forma durante aaaaanos e que em 2016, passei a vender de outra. Vou contar…

No fim de 2016, ela me ligou e me pediu um orçamento para organizar aproximadamente 20 mil fotografias. Sim, esse montante todo! Só que ela queria que fosse feito de uma forma diferente. Bem, normalmente, meus projetos de fotografia consistem em recolher as fotos, estudá-las, apresentar um projeto consistente para o cliente e depois encarar a empreitada. Seja em cronologia, seja em temas, enfim, com algumas das muitas possibilidades que tenho disponível para meu cliente. Ela não queria assim. No auto da sua “matura idade” e com uma historia linda de vida pessoal e profissional, ela já tem um outro olhar da vida e pode se dar ao luxo de sintetizar todo esse conteúdo em dois “míseros” álbuns de 500 fotos cada um. Um de presente para o filho. Outro de presente para filha, ambos no natal do ano passado.

COMO ACONTECEU?
Foram cinco dias intensos. Intensos de trabalho, de emoção à flor da pele. De momentos de euforia e de grande tristeza. Assim acontece esse trabalho quando ele é feito desta forma, ao vivo e à cores. E euzinha, que estava acostumada a fazer esse trabalho no meu ritmo, sozinha, uma vez por semana, paulatinamente, tive que mergulhar nesse universo intenso. E não foi fácil meeeesmooo!
Ainda não nos conhecíamos quando o trabalho começou mas viramos amigas e confidentes ao final do quinto dia. As fotos contam histórias, quem já foi minha aluna sabe bem disso. Através delas eu desnudo a vida do cliente. E o bate papo que acontece nesse ínterim, enriquece o trabalho e ajuda e muito a colocar os eventos no seu devido lugar, trocando em miúdos, em cronologia.

Nos dois primeiros dias, nós pincelamos todos os álbuns e fotos avulsas. Tudo mesmo!! Era muito rápido. Ela sentada do meu lado e eu interrogando velozmente sobre as fotos. Bem verdade que ela tinha tudo delineado na cabecinha dela, o que facilitou o andar da carruagem. Fiquei preocupada com o tamanho do filtro que ela fez. Achei “exagerado”. Bem, olhando isso do ponto de visto de uma mãe, por exemplo. Vc resumir um álbum de nascimento de filho em apenas 4 fotos? Eu achei uma loucura! Porém, durante o andamento do trabalho entendi que era um resumo da vida da família, não somente dos filhos, mas de tudo o que compreendia aquele universo: os antepassados, um casamento com muito amor da cliente, uma mega empresa de sucesso, patrimônios e casas construídas por grandes arquitetos, viagens, casamentos desfeitos dos filhos até os atuais, até a chegada dos netos, tudo contando com muitas fotos, um rico acervo.

O tempo todo trabalhávamos com metas, com o número 500 que era a exata quantidade que cabia em cada álbum. Enquanto ela escolhia as fotos eu ia direcionando para que filho ela se enquadraria de acordo com as histórias que eu ouvia dela. Com as afinidades de um neto com a avó. De uma filha com um pai e demais informações. E assim fomos costurando uma história de amor que transbordava pelo álbum.

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UM PARÊNTESES
A cliente e o marido são prósperos empresários da década de 70 e 80. Donos da grife mais famosa da época e que permeava meus sonhos de adolescente, com mochilas, acessórios, calças e roupas lindas. Ahhh eu me realizei quando soube da historia deles e de todo o empreendedorismo que fez com que, de uma amizade de faculdade nascesse um grande projeto e não somente uma grife, mas um império de duas décadas, quase três, com conceito e preocupação com o mundo quando ninguém, ninguém mesmo pensava nisso. Tendência total! Juntando isso, temos o fato deles serem um casal afinado, que se amam intensamente no auto dos seus mais de 40 anos de casado. Isso as fotos contam, bastava olhar pra entender isso, sem contar o carinho, o tratamento que é dado de um para o outro.
Como amo trabalhar em casa assim, com esse clima de amor e harmonia no ar, o trabalho flui melhor, muuuito melhor.

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GRAN FINALE
Então, depois de separadas, em cronologia que começava com o nascimento dos avós e terminava três gerações depois, foi a vez de montar os álbuns. Isso enquanto ela separava as fotos dos netos que variam de poucos meses a 13 anos, pois essa geração já é digital e dependeria exclusivamente dela. Eu estaria a frente montando os álbuns com o que eu já dispunha. Entremeei fotos com memórias, com cartinhas, com cartões, com dedicatórias lindas e um história de uma família, várias gerações e muito amor!Ah, tinha até uma dedicatória linda do poetinha mais amado do Brasil, Vinícius de Morais, uma preciosidade com aquela assinatura que só quem viveu a Bossa Nova é incapaz de esquecer.
A montagem dos álbuns levou um tempinho e enquanto eles passavam férias no frio, eu aqui no calorzão corria feito uma doida pra dar conta dessa empreitada, no meio da agenda apertada de fim de ano dos demais clientes. Foi puxado viu?

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O IMPREVISTO
Quando eu comecei a produção das legendas, que não eram muitas eu pirei! Eram muitas dúvidas e ela estava viajando, eu não queria ficar perturbando com isso. Tive que produzir por minha conta, mas não imprimi até que ela me desse o aval. Tive que esperar ela chegar e aí pedi duas horinhas de um dia para que pudéssemos olhar os álbuns já montados e definir que legendas ela gostaria. Que nomes ela trataria as pessoas. Como era um presente para os filhos, o avô dela seria o bisavô dos filhos, mas certamente não teria tanta relevância para as crianças novas dessa família, que sequer reconheceriam. Que denominação dar então? O nome inteiro? O papel que cumpria naquela família para uma determinada geração? O apelido? Como os filhos dela conheciam? Eram tantas possibilidades…só ela poderia decidir. Foi quando ela deu uma pane! Ela viu os álbuns pela primeira vez. Fiquei assustada, primeiro com a euforia, depois com a tristeza que tomou conta quando comparou os dois álbuns, os dois volumes. Juro que murchei! Fiquei preocupada porque ela achou que um álbum estava muito melhor do que o outro. Sinceramente não achei, as fotos estavam compatíveis com o que cada filho viveu intensamente, tirando os antepassados. Mas ela se descompensou, ensaiou um choro, e eu a entendi, pensando como mãe, que existe uma coisa que nos persegue chamada CULPA. Ainda que não tenhamos nenhuma, a carregamos sempre, até na hora de preparar uma surpresa especial como a que ela planejou durante muito tempo que era a confecção e entrega dos álbuns. Saí de lá desolada! Juro! Mas logo depois fui trabalhar e pra variar me desliguei do mundo.
Confeccionei as legendas pretas com letras brancas, marca registrada do AO e que fica lindo em álbuns com folhas pretas. Cortei cuidadosamente. Colei no álbum. Embrulhei em papel de seda de cores diferentes e em sacola de papel craft e no dia 24/12 de manhã fui lá entregar esse precioso presente. Fui recebida com um abraço caloroso de agradecimento, e um pedido de desculpas por ter ficado triste e com a seguinte frase “Vc foi a pessoa certa e perfeita pra fazer esse trabalho. Não escolheria outra pessoa.Obrigada.” Se despediu com dois beijinhos e um afago no coração e me deu a certeza de que minha missão estava cumprida, independente do resultado.

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Bem, esse post que tem mais vai e volta do que saga do Star Wars, termina aqui, e ainda que hj seja dia 10/01, desejo a todos aqueles que me acompanham e que tem a paciência tibetana de ler cada historinha aqui contada um 2017 próspero, com saúde, alegrias, paz e muito amor, como esse que transborda na história dessa linda família.

Beijo em todos

Verônica Cavalcanti
menina do AO

“Verônica

Prazer, sou Verônica Cavalcanti, criadora do Ateliê Ordenar. Nasci organizada, disciplinada, obstinada. E, ainda, sob o signo de Áries e ascendente em Escorpião!
Como me disse uma vez um numerólogo: vim para a guerra. 😉

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